quinta-feira, dezembro 16, 2010
O fim. Um novo começo.
quinta-feira, novembro 18, 2010
O começo do fim
Nas últimas postagens vim fazendo uma retrospectiva de todos os eixos pelos quais passei até aqui. Finalmente chegamos ao último. Finalmente, não porque meu trabalho vai acabar, pois vou precisar retomar algumas reflexões para não ir para o tronco, mas porque todo nosso aprendizado, até aqui, tem somente um destino: nossos alunos. E é justamente em nossos estágios que colocamos em prática tudo que aprendemos. É claro que minhas turmas foram se beneficiando ao longo desses semestres com uma melhora na bagagem pedagógica de sua professora, porém é no estagio que vamos registrar essas experiências.
Trabalhei com a construção da identidade de meus alunos como tema gerador de minha proposta de estágio. Creio que hoje ao chegar à fase final do curso, eu mesma me questione qual a minha identidade? Nossa identidade é construída ao longo da vida, como diria Freire, somos seres em construção. E por estarmos em constante formação, e esperamos melhorias, poderia dizer que ao final de meu curso me considero uma professora mais capacitada que no inicio desta jornada. O estágio é um momento em que tudo deve ser planejado, executado o mais próximo possível desse planejamento e os resultados devem ser devidamente registrados. A importância do registro é tentar passar um pouco de nossas experiências, com nossos acertos e erros, de modo a compartilhar esse conhecimento. Não somos juízes e não criamos jurisprudências, mas podemos aprender com nossos colegas. Meu estágio foi uma experiência nova, mesmo para uma professora de carreira, mesmo não sendo meu primeiro estágio. Como nenhum aluno é igual a outro, e nenhuma turma é igual a outra, todo inicio de ano é uma experiência nova. Minha prática de ensino se renova a cada ano. Minhas experiências aumentam a cada ano. O estágio é um momento único, não porque vá me esforçar mais do que em minha prática habitual. Isto já procuro fazer normalmente a cada ano, dar o melhor de mim para que o ano seja melhor que o anterior. O estágio é diferente, porque é o momento em que além de usarmos toda a teoria que aprendemos ainda precisamos dizer qual fundamento teórico utilizamos escrevendo e anotando tudo em detalhes e sendo avaliadas. A prática e a teoria se fundem em uma só atividade.
Quase perdi o fio do tirocínio. Como estava falando, feliz de quem passa a vida construindo sua identidade e não tem a petulância de se achar um ser completo e acabado, com todas as suas verdades prontas. Ajudei meus alunos na construção de suas identidades e eles me ajudaram na construção das minhas. Ter opinião não significa que não se possam mudá-las. Ter conhecimento não significa que não se possam ampliá-lo. Conhecer a verdade não significa que ela seja absoluta ou a única existente.
terça-feira, novembro 16, 2010
Resposta
quinta-feira, novembro 04, 2010
SUPERações
sábado, outubro 30, 2010
True Colors

Crítica e Autocrítica

“... Isso significa que em muitos momentos precisaremos nos tornar auto críticos e nos posicionarmos sobre as práticas que ajudamos a instituir com nossas vozes ou com nossos silêncios.”
Agora ao escrever meu TCC deparei-me com o a mesma autocrítica. Minhas pesquisas apontam para o fato da escola exercer uma posição dominadora sobre as famílias, procurando impor sua forma de educação sem levar em conta os pais ou os alunos. Tal posição da escola enquanto instituição, e a mim como membro dela, me fez questionar até que ponto eu venho reproduzindo esta ideologia dominante e o que tenho feito para fugir dela. As leituras de Paulo Freire, que venho fazendo de ao longo de toda a faculdade, fazem com que eu tenha uma postura mais construtivista em relação a educação de meus alunos. Procuro fugir das formas prontas e chamar os alunos a participarem da construção de seu aprendizado, valorizando sua cultura e seus conhecimentos. Mas como professora inserida em uma instituição de ensino, sou obrigada ao mesmo tempo a me adaptar ao que é exigido pelos responsáveis pela nossa gestão de ensino. Nossa autocrítica diária deve permear nossa relação com nossos alunos, nossa relação com a escola e sua organização deve ser sempre visando o melhor para os educandos.
Quem tem medo da matemática?
No eixo IV estudamos a interdisciplina “Representação do mundo pela Matemática”, lembro de ter comentado em meu blog que nunca tinha tido boas relações com esta matéria. Todos nós temos preferências por uma ou outra matéria, aptidão para determinadas coisas e outras nem tanto. Para a grande maioria dos estudantes a matemática é um bicho papão. A mais temível das disciplinas! Não deveria ser assim, como vimos nessa interdisciplina a matemática esta relacionada a quase tudo que nos cerca. Nem sempre a notamos, mas se formos verificar ali esta ela com suas fórmulas perfeitas. Foi utilizada até mesmo por pintores que procuravam alcançar a beleza através dos números. Apesar de nunca ter gostado de matemática reconheço a sua importância. Ela é o pilar das ciências exatas. Incentivar o seu ensino é pensar num futuro cheio de aplicações e de desenvolvimento tecnológico. Desenvolver o gosto da matemática em nossos alunos é desenvolver futuros cientistas e engenheiros. Apesar de ter vocação para as áreas humanas, gosto muito da matemática, pena que ela não goste de mim. Mas como professora não posso transparecer esta minha inaptidão, afinal eu sei que esta matéria, como qualquer outra, só requer um pouco de dedicação para ser melhor compreendida. A interdisciplina “Representação do mundo pela Matemática” nos permite perceber como podemos atrair nossas crianças para este interessante mundo. Talvez se meus antigos professores conhecem as ferramentas as quais fomos apresentadas, eu tivesse tido uma aproximação mais amistosa e prazerosa com esta disciplina.
Educar é uma arte!

Ideologia

A classe dominante (burguesia) impõem seus valores e idéias como sendo a única visão correta, fazendo com que a classe trabalhadora absorva esses valores e pense como a classe dominante, encaixando-se nesse padrão de vida e se submetendo a exploração. Para eles a educação desempenha o papel de transmitir a ideologia da classe dominante, as regras de funcionamento da escola, seus conteúdos e abordagens só vêm reproduzir a desigualdade na sociedade capitalista. A educação fornecida para os trabalhadores têm o objetivo de reforçar a ideologia da classe dominante como correta e fazer com que se aprenda apenas o necessário e suficiente para lidar com os seus instrumentos de trabalho, disciplinando-os e treinando-os, tornando-os assim "eficientes". Os estudos de Paulo Freire nos alertam sobre o mal da “educação bancária”, lendo Marx diríamos “a educação que agrada os banqueiros”. Como professores devemos nos “auto-policiar” para não sermos reprodutores desta ideologia. Devemos ser críticos e fazer com que nossos alunos tenham posicionamentos críticos. O professor que apenas reproduz o conteúdo que deve ser recebido pelos alunos é um “ditador”, pois impõe o seu domínio sobre desrespeitando a cultura dos alunos. Marx e Engels não eram educadores mas escreveram sobre educação. Criticaram a religião, o ópio do povo, e a sociedade capitalista. Jesus não se envolveu em política e também não era educador, mas seus ensinamentos ficaram na história:
domingo, outubro 17, 2010
Uma carta aos que estiveram lá...
É com muito amor, paz, alegria, satisfação, uma felicidade muito grande e tantas outras coisas tão boas que nem sei descrever, é que escrevo essa carta.
Obrigada aos que estiveram em Gramado/Canela, no dia histórico de 10/10/2010. E as que não foram até lá de corpo presente, mas que o coração estava lá... Coração apertado, com medo de deixar seus “bebezinhos” lindos, fofos e com certeza muito amados aos com certeza muito amados aos cuidados de uma professora maluquinha (e um pouquinho chorona)... Ainda agora as lágrimas insistem em sair de olhos marejados de tanta felicidade.
Tive muito trabalho (acho que perceberam, não?), mas cada minuto, cada segundo, cada milésimo de segundo valeu a pena ao ver nossos* bebezinhos de diversos tamanhos com suas chupetinhas na boca, passeando por lá. (*nossos porque quando vocês os deixam comigo, passo a amá-los como se fossem meus também, isso é inevitável).
Então agora, vai os meus parabéns aos nossos bebezinhos, bebezões e companhia ilimitada. O dia foi 10! E vocês mais, muito mais de 1000. Obrigada pelo comportamento show de bola! Se a “sora” chamou a atenção de vocês ou rolou um “stress”, vocês levaram na boa, de boa. Me deixaram respirar, relaxar, achar o rumo e tocar o barco, afinal eu sou o comandante e vocês minha tripulação. Vocês são uma sementinha que plantei no coração, cuidei com muito amor, tanto amor que um baobá lindo nasceu. Aquela semente pequenininhazinha se transformou em um baobá imenso que vai durar mais, muito mais que 6000 mil anos.
Aos motoristas, amigos, distribuidores de chocolate e a todos outros “anjo” e amigos invisíveis que estavam lá, meu muito obrigada da minha alma realizada e em paz.
Vou contar uma coisa (segredinho), quando cheguei em casa todo meu corpo doía, partes que eu nem sabia que tinha fiquei descobrindo, que existiam, por causa da dor. Mas valeu! Valeu messssssmo!
Não queria escrever tanto, mas não consigo parar.
Só quero que lembrem sempre de duas coisas:
1º O que fiz foi pensando em me promover, não quero cargo na escola, nem sou candidata à vereadora, nem nada assim, só quero realizar um pedacinho (por mínimo) que seja. Sabe qual é o meu sonho? Consertar o mundo! Não o mundão do globo terrestre. Não o Haiti. Não vou rezar pelo Haiti (até posso, porque não?!). Mas a verdade é que quero consertar o mundo e colocar no rosto daquele que está ali do meu lado, esperando desesperado na frente da porta da sala de aula para entregar seu filho àquela professora tão pequenininha, quase do tamanho deles ou até um pouco menor. Mas com um coração imenso dentro e ao redor dela.
2º Sempre, sempre, SEMPRE acreditem nos seus sonhos, corram atrás e peçam que um anjinho passe ao lado e diga: Amém!
Sonhar é preciso, é necessário e acreditar faz o sonho acontecer!
Uns dias antes de irmos até o “local mágico”, uma aluna acompanhada de sua colega e amiga confidente foram até a minha mesa, e então ela disse:
- Sora, depois que formos pra Gramado, vamos ir pra Santa Catarina?
Essa guria “tá loca”! Da onde vou tirar dinheiro pra isso?! (pensamento). Respondi:
- Calma, querida, nem fomos para Gramado e SC é tão longe. Quem sabe mais perto? Mas vamos ver, quem sabe?
E fiquei horas, dias pensando... Essa guria tá doida! E deixei-a sonhar, porque não? Não temos o direito de assassinar o sonho de ninguém! Agora descobri. Ela não é doida. É apenas uma “aluna da professora maluquinha” e está dando seus primeiros passos na arte de sonhar.
Por isso, não se esqueçam de SONHAR!
Enfim,
Obrigada, obrigada, obrigada!
Foi MARA! M A R A V I L H O S O!
P.S.1 Desculpem o atraso!
P.S.2 Sim, foi uma Disneylandia!
sábado, setembro 25, 2010
Uma gota no oceano

Em seu poema John Donne, nos faz pensar em nossa relação com a humanidade, somos parte dela e ela de nos:

Educar também é compartilhar. Não só a troca de experiências e conhecimentos, mas também um ato de compaixão. Nossas trocas, relatos e comentários deixados aqui , neste e em outros blogs, ajudam de alguma forma a mim, a você, aos nossos alunos, nossos professores, nossa humanidade. “ninguém é uma ilha” e nosso mundo não gira em torno de nosso umbigo, ou de nosso blog. Eu recomendei um livro, outros gostaram da idéia, alguns alunos tiveram contato com esta leitura prazerosa. Muita água rolou nesse oceano, e muitos barcos chegaram a minha ilha.
segunda-feira, setembro 20, 2010
Meu querido diário
Há longo destes anos este espaço tem sido como diário pedagógico, para registrar os meus anseios, minhas conquistas e decepções. É um registro pela passagem na faculdade, no curso de Pedagogia da UFRGS.
Penso que depois de formada não deixarei de escrever, pois é aqui neste espaço que exponho meus pensamentos, tornando-os públicos, aos viajantes de passagem, e aquele que se dispuser a ler um pouco sobre o penso.
A troca de idéias e experiências enriquece o homem. Muito tenho crescido ao ler, ver e ouvir o que circula no espaço virtual e espero que de alguma forma minhas reflexões e registros também possam contribuir para enriquecer este espaço da cultura universal que é a web.
Nos primeiros semestres utilizava gif’s, cores e muito mais, na tentativa de descobrir novas ferramentas, assumo que exagerei, afinal este é um blogger acadêmico. Mas como resistir aos encantos que o espaço virtual oferece? Hoje, procuro ser mais discreta, preocupada muito mais com o conteúdo, porém sem descuidar da estética.
Sinto uma evolução de qualidade em meu blogger, aprendi a dominar melhor as ferramentas e diria até a própria linguagem.
domingo, setembro 12, 2010
Uma estudante em desespero: TCC!
O tempo passa e as velhas dúvidas dão lugar às novas. Talvez esse seja o grande dilema do aluno-pesquisador. Não existem respostas prontas e na grande maioria das vezes nos encontramos perdidos, desesperados, despreparados, incapazes e bloqueados.
O prazo final para entrega do TCC se aproxima e por mais que tivesse estudado e me preparado, não me sinto capaz de realizar tal feito.
Porém ao analisar as demais postagens no blogger, dos primeiros semestres, percebo que as superações as dificuldades se fazem dia-a-dia. O conhecimento adquirido, por menor que tenha sido trabalhado ou assimilado sempre trará benefícios para o resultado final. A teoria sempre encontra o seu espaço na prática da sala de aula. Os exemplos vividos são uma lição que não esquecemos tão facilmente. As conquistas registradas em meu blogger são o testemunho vivo de minha vida acadêmica e profissional durante este curso.
Aprendi muito sobre a educação, nas primeiras postagens era um pouco mais apegada aos textos trabalhados pelas disciplinas, com o tempo aprendi a colocar os meus exemplos e a alternar entre a prática e a teoria. Passei a expressar melhor minhas idéias e não somente reproduzir os textos lidos. Tornei-me mais crítica e analítica. Ao dominar melhor o conteúdo passei a dialogar com a teoria e sempre dentro do possível, corrigir minha prática e melhorá-la com os novos conhecimentos adquiridos.
terça-feira, junho 22, 2010
UMBAOBÄ

Baobá, que tesouros guardas em teu ventre?
Dizem que guardas segredos em teu tronco.
E de tão gordo convidas que eu entre.
Meu vô foi criado à tua sombra.
Tu já eras grande e imponente.
Tua origem é tão antiga que ninguém lembra.
Nasceste de cabeça para baixo.
Como a nos dizer: Há algo errado na África!
A escravidão já acabou, eu acho!
Mas tu ainda vês muita miséria.
Muita fome e guerra.
É a coisa ta mesmo séria!
Quanto te vejo ai sozinho.
Quase entendo o que dizes.
Assim calado e tristonho.
Neste tronco-peito tens um segredo.
É ai que guardas o coração da África.
Grande,Lindo e amado
quinta-feira, junho 17, 2010
Identidades - Parte II
O grupo saiu faceiro. Empolgados sim, mas ordeiros. Foram disponibilizados quatro guichês para meus alunos puderem confeccionar as carteiras. Sempre que aparecia uma senhora grávida ou um idoso eles gentilmente sediam sua vez. Foram indo aos poucos e quando faltavam três alunos a fila dos outros guichês havia aumentado e optamos por compartilhar a fila comum para evitarmos maiores transtornos retribuindo a gentileza que o pessoal do Instituto Geral nos fez. Tiramos fotos de lembranças e agradecemos a acolhida. Meus alunos deram uma aula de civilidade e cidadania, me enchendo do mesmo orgulho que gostaria que eles tivessem de ser quem são.
quarta-feira, junho 16, 2010
Identidade - Parte I

É este pedaço de papel que vai dizer quem somos?
Somos negros, somos índios, somos brancos.
Os rios da África correm em nossas veias.
Nossas raízes nutrem-se das terras roubadas dos Guaranis.
Nossas lembranças perdem-se no além mar.
Quais são nossas identidades?
Somos brasileiros.
Somos gaúchos de coração.
Torcemos por nosso time ganhar o Grenal.
Acendemos uma vela na igreja.
Damos pinga pro santo.
Pedimos a benção de Tupã.
Nossa mesa é farta.
Comemos feijoada, vatapá, aipim e bacalhoada.
Cerveja no verão, vinho no frio.
Chimarrão sempre.
E um cafezinho pras visitas.
Quem nós somos?
Na carteira vai meu nome.
Nossa identidade é única.
Nossa cultura é vasta.
Temos uma rica herança.
Temos orgulho de nossa terra.
E por ela havemos de lutar, tal quais os farrapos.
Sabemos de onde viemos
E pra onde queremos ir.
Escreve ai seu moço.
Somos brasileiros
Somos gaúchos.
Temos um nome.
Coloca ai que eu assino em baixo.
segunda-feira, junho 14, 2010
Novos assuntos velhos
Mas porque trabalhar questões "da moda"? Não seria um pouco de redundância tratar de questões que eles vêem na mídia no seu dia a dia? Creio que não, quando vêem tais assuntos na tela da TV, muitas vezes não se dão conta do impacto que eles tem no seu dia a dia. Tratar de sustentabilidade, da preservação das espécies, da conservação do planeta não se trata de uma moda passageira, trata-se de nossa sobrevivência. Conversar sobre o bullying, que todos sabem não ser nenhuma novidade que surgiu ontem, não é trocar o nome de velhos problemas e sim procurar novas soluções e se conseguirmos extingui-los, pelo menos amenizá-los. Não pretendo fazer um diálogo vazio, politicamente correto ou sensacionalista, mas sim construir uma consciência coletiva, o mais abrangente possível, dos problemas que afetam sim a mim e meus alunos.
Antigamente se ensinava sobre os problemas de poluir os rios, tiravam do contexto e queriam que nos alunos abstraíssemos tal conceito e compreendêssemos todo o processo sem mal sabermos o que é um rio. Não é preciso levar nossos alunos a nenhum valão, basta levá-los a um bueiro e perguntarmos aonde vai toda a sujeira que ali depositamos e fazê-los compreender que mesmo isolados fazemos parte de um todo. Não é preciso perguntar se souberam ou se viram algum caso de violência em escolas exibido na mídia. Basta perguntar o que viram durante o recreio e que não gostariam que tivessem feito com eles. Ninguém gosta de ser chamado de gordo, ou de magro, de feio ou de burro. Para alguns isso dói mais que muito tapa na cara.
Tratar de problemas que afetam nossa sociedade não é modismo, e expor algo que não pode ser mais escondido. É tirar a venda da ignorância para quem sabe um dia estes sejam problemas a serem estudados apenas pela história.
domingo, junho 13, 2010
Ensinar exige respeito à autonomia do ser educando

autoritário, que por isso mesmo afoga a liberdade do educando, amesquinhando o seu
direito de estar sendo curioso e inquieto. Tanto quanto o professor licencioso rompe
com a radicalidade do ser humano...
segunda-feira, junho 07, 2010
Identidade e Ação Histórica
“Gosto de ser gente porque inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influencia das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, culturalmente e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo.
... O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história.” FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Ensinar exige respeito o reconhecimento de ser condicionado - 1996.
Se Paulo Freire, estudioso e ícone na educação mundial, considerava-se um ser inacabado, o que resta a mim e a meus alunos senão também assumirmos nossa condição humana de seres em constante formação e procurarmos aprimorar cada vez mais nossos conhecimentos.
Não somos uma individualidade pronta e acabada, que não teve origem e não sofre influências do meio. Somos todos capazes de ser “sujeitos da história”. Conhecer um pouco mais de sua própria identidade e a busca de valorizar o “eu” de cada um. De construir a nossa autonomia e inserirmo-nos no mundo, deixando nossas marcas.
quarta-feira, maio 19, 2010
Conhecendo o aluno
“Em Paulo Freire, a realização de pesquisa de campo inicial pretende a integração dos grupos e levantamento dos seus interesses, valores, conhecimentos e modo de viver, permitindo que as pessoas se tornem conhecidas sem intimidação ou distanciamento.
A fase inicial do trabalho educativo consiste em conhecer a realidade dos educandos, valorizando os significados culturais do meio e estimulando novos conhecimentos.
Paulo Freire propõe a busca constante de encontrar formas alternativas para o desenvolvimento geral do educando. Para que isso ocorra é necessário um planejamento bem estruturado com os educadores e com o máximo de informações sobre o universo do grupo de educandos, que direciona a educação para a valorização da cultura do individuo e do grupo e a compreensão de seus conhecimentos já existentes. (pág. 88)
sábado, maio 15, 2010
Conceitos Prévios
Retiro um texto do livro Kulé Kulé, educação e identidade negra, editado pela Univerdade Federal de Alagoas, diz o parágrafo da página 14, escrito por Nilma Lino Gomes:
“Não é fácil construir uma identidade negra positive convivendo e vivendo num imaginário pedagógico que olha, vê e trata os negros e sua cultura de maneira desigual. Muitas vezes, os alunos e as alunas negras são vistas como “excluídos”, como alguém que, devido ao seu meio sociocultural e ao seu pertencimento étnico/racial, já carrega congenitamente alguma “dificuldade” de aprendizagem e uma tendência a “desvios” de comportamento, como rebeldia, indisciplina, agressividade e violência. Essas concepções e essas práticas pedagógicas, repletas de valores e representações negativas sobre o negro, resultam, muitas vezes, na introjeção do fracasso e na exteriorização do mesmo pelos alunos e alunas, expresso numa relação de animosidade com a escola e com o que muitos/as aluno/as introjetem o racismo e o preconceito racial.
Essa perspectiva, que prima pela exclusão e trata as diferenças como deficiências, transforma as desigualdades raciais, construídas o decorrer da história, nas relações políticas e sociais, em naturalizações. As desigualdades construídas socialmente passam a ser consideradas como características próprias do negro e da negra. Dessa maneira, um povo cuja história faz parte da nossa formação cultural, social e histórica, passa a ser visto através dos mais variados estereótipos. Ser negro torna-se um estigma. Se passarmos em revista vários currículos do ensino fundamental e médio, veremos que o negro, na maioria das vezes, é apresentado aos alunos e as alunas unicamente como escravo – sem passado, sem história – exercendo somente algumas influências na formação da sociedade brasileira. Numa outra face desse mesmo procedimento, o negro, quando liberto, é apresentado como marginal, desdobrando-se na figura do “malandro”. Essa postura reforça o estereótipo do não-lugar social imposto.”
domingo, maio 02, 2010
Família, Alunos e Escola
Na semana passada foi a vez de meus alunos conhecerem sua escola. Uma saída de campo dentro dos muros da escola. Saindo da sala e conhecendo todos os setores e funcionários que compõem o microcosmo do Jango. Descobriram o nome dos funcionários, suas funções, entraram em salas que normalmente não entram como a sala do diretor e da cozinha. Foi um passeio divertido e construtivo. Muitos habituados somente a sala de aula, ao refeitório e ao banheiro da escola, puderam ver outros ambientes e pessoas. A receptividade dos funcionários e a integração entre os alunos trouxeram alegria, curiosidade e aprendizado.
Ambas as atividades, entre pais e alunos serviu para transpor as barreiras que existem entre o lar e a escola. Se a escola é o segundo lar, porque não conhecê-la melhor? A identidade começa por se descobrir, quem são as pessoas a nossa volta e que fazem parte de nossa trajetória.
domingo, abril 25, 2010
quarta-feira, abril 21, 2010
Contando histórias

Deixo aqui a dica de leitura para todos do livro Catando Piolho, Contando Histórias, de Daniel Munduruku. E para os que desejarem segue o link para baixar o audiobook. Um excelente contador de histórias.
terça-feira, abril 13, 2010
Invisíveis

Sempre houve filas nas portas de hospitais e postos de saúde. A população sempre morreu de causas nem tão desconhecidas assim: falta de atendimento médico, por exemplo. Filas de espera por cirurgias não aparecem, não são notadas. Ninguém quer precisar de médicos mesmo. A saúde? Vai bem, obrigado!
Um anúncio de aumento do salário dos professores cai bem nos ouvidos da massa, mesmo que o aumento seja insignificante e parcelado. Afinal, somente o magistério sabe há quanto tempo está sem ter os seus salários reajustados. Alunos continuam a serem matriculados, a freqüentarem as aulas, a se formarem. Quem está interessado na qualidade do ensino? Aqueles que se importam procuram complementar os estudos dos seus filhos do jeito que podem, a grande maioria dá graças a Deus que conseguiram o diploma de conclusão. Aprender nunca se aprendeu mesmo. O importante é o reconhecimento, quer seja num diploma vazio ou em um anúncio estrondoso maior que a realidade no contra cheque.
Na conjuntura mundial, estar empregado é tão importante quanto o salário que se ganha. Sempre existiram profissionais para trabalhar no lugar dos descontentes. O que não se vê é o impacto que o descaso causa nas pessoas. Quantos professores você conhece que tomam Fluoxetina? Como vai a qualidade de nosso ensino? Certamente há estudos que comprovam que tudo vai bem. Nunca falta dinheiro para gerar quadros estatísticos. Os professores é que são loucos, é por isso que tomam antidepressivos. Se nosso país vai bem com tanta roubalheira, com tanto abandono, com todo este mau gerenciamento, imagine como não estaríamos com o governo investindo massivamente em educação. Nossos profissionais em educação mostram toda sua competência tendo que enfrentar tanto mau tempo pela frente. Mesmo sendo invisíveis na maioria das vezes, sempre haverá um professor que será lembrado por seus alunos.
quinta-feira, abril 08, 2010
Quem cuidará de nossas crianças?

Quando vejo o desempenho de alguns alunos fico pensando se não há algo errado. Quanta dificuldade. Muitas herdadas, outras passadas adiante, outras ignoradas. Alunos chegando a um terceiro ano, sem saber ler ou escrever. E, em nome de programas governamentais são “incentivados” a passarem de ano. Crianças com problemas comportamentais sérios. Mal educadas em todos os sentidos. Desinteressadas e criadas com desleixo. Parece que não existem mais pais, que os professores desistiram de acreditar na educação transformadora, que os educadores acham que a responsabilidade é dos governantes. Vivemos uma nova era. A informática facilitou muita coisa, e parece que não a aproveitamos. Os jogos eletrônicos deveriam servir para desenvolver o raciocínio, o aprendizado, a lógica e percepção dos jovens e crianças. Mas o que vemos é o incentivo a violência, o ócio, a indolência, o isolamento. Os “torpedos”, as salas de chat, os jogos em grupo pela rede, em vez de incentivarem a escrever e ler, tornam-se portas para os vícios de escrita e linguagem. A televisão emburrece, o apelo sexual é mais forte que o educacional. Culpa dos nossos filhos, ou dos pais que criam os hábitos que vão ser copiados. Hoje em dia não existe mais a desculpa de que não se lê porque os livros são caros. Continuam caros sim, mas se gasta mais tomando cerveja num final de semana, do que comprando um livro que pode passar de mão em mão. Tem mais gente nas filas de cinema que nas bibliotecas. Pais que são vistos lendo certamente incentivam os filhos a leitura. Mas no final das contas quem é o culpado? A pergunta aqui deveria ser outra: - Como vamos encontrar uma solução? Os pais devem ser chamados a participarem da educação de seus filhos, partindo de sua própria. O simples ato de desligar a televisão por uma hora e dedicarem-se a leitura de um livro incentiva a criança a aprender a ler. Desperta a curiosidade do jovem. Por que se pode ter prazer com um bom livro? Certas coisas deveriam vir de berço. Ensinar a respeitar os outros, a ser gentil, a cuidar de sua higiene, a ser civilizado, a conservar o patrimônio público e alheio, a não matar, não roubar, não soquear os colegas. E todos tantos outros "NÃOS", que são necessários à nossa educação, impor limites também é educar. "Quem ama educa!" E quem educa também deveria aprender a amar um pouco mais. Aprender com a incapacidade de uma sociedade de educar seus filhos e tentar dar o melhor de si. Mesmo sabendo que talvez, nem pais, muito menos nossos governantes estejam interessados nisso.