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quarta-feira, junho 16, 2010

Identidade - Parte I


É este pedaço de papel que vai dizer quem somos?
Somos negros, somos índios, somos brancos.
Os rios da África correm em nossas veias.
Nossas raízes nutrem-se das terras roubadas dos Guaranis.
Nossas lembranças perdem-se no além mar.
Quais são nossas identidades?
Somos brasileiros.
Somos gaúchos de coração.
Torcemos por nosso time ganhar o Grenal.
Acendemos uma vela na igreja.
Damos pinga pro santo.
Pedimos a benção de Tupã.
Nossa mesa é farta.
Comemos feijoada, vatapá, aipim e bacalhoada.
Cerveja no verão, vinho no frio.
Chimarrão sempre.
E um cafezinho pras visitas.
Quem nós somos?
Na carteira vai meu nome.
Nossa identidade é única.
Nossa cultura é vasta.
Temos uma rica herança.
Temos orgulho de nossa terra.
E por ela havemos de lutar, tal quais os farrapos.
Sabemos de onde viemos
E pra onde queremos ir.
Escreve ai seu moço.
Somos brasileiros
Somos gaúchos.
Temos um nome.
Coloca ai que eu assino em baixo.

domingo, junho 13, 2010

Ensinar exige respeito à autonomia do ser educando


O titulo não é meu, é do mesmo livro do Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, com o qual já trabalhei na postagem anterior. Ao ler este capítulo lembrei de um texto que conheci pelo nome de “o menino e a flor”, que hoje descobri ser “o menino pintor”, escrito por Púllias e Young Earl. Nele vemos bem o quanto podemos prejudicar a criatividade e autonomia de uma criança impondo nossos próprios valores e ”pré-conhecimentos”. Respeitar a autonomia do educando (educando pois se aplica a alunos de todas as idades, mas principalmente quando ainda não tem uma identidade plenamente desenvolvida) como nos faz ver Freire, requer um capitulo a parte:



“Não faz mal repetir afirmação várias vezes feita neste texto - o inacabamento de que nos tornamos conscientes nos fez seres éticos. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. (...) . O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exige do cumprimento de seu dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência. É neste sentido que o professor
autoritário, que por isso mesmo afoga a liberdade do educando, amesquinhando o seu
direito de estar sendo curioso e inquieto. Tanto quanto o professor licencioso rompe
com a radicalidade do ser humano...

Deixemos portanto os alunos pintarem flores de todas as cores, de todas as formas, mas sem "pintar o sete", respeitando suas individualidades e suas ideias. O conhecimento, como o próprio ser humano, é inacabado, está em constante processo de crescimento e deve ser reconhecido, pelo pouco ou muito que tem a nos passar. Existe um velho ditado que nos diz que ninguém sabe tudo que não tenha nada a aprender, ninguém sabe nada que não tenha nada a ensinar. Tal axioma deveria ser uma norma a ser seguida por todos alunos e professores. A participação dos alunos em sala de aula é tão importante quanto o respeito do professor a suas manifestações. Em uma sala de aula onde todos tem a liberdade de perguntar ou dizerem o que pensam sobre o assunto só enriquece o conhecimento, tanto do aluno, como do professor que mesmo que saiba todas as respostas, passara a conhecer novas perguntas.

segunda-feira, junho 07, 2010

Identidade e Ação Histórica

Ao trabalhar com a busca da identidade de meus alunos deparei-me com outras questões relacionadas. A identidade vem atrelada ao conhecimento (ou falta dele), a cultura, as raízes e histórias de cada um. Para cada identidade uma individualidade, uma face de muitas faces. Um indivíduo não vive só. Ele faz parte de uma sociedade, tem laços familiares em maior ou menor grau, alguns estruturados, outros nem tanto. Uma sala de aula possui diferentes individualidades, diferenças de sexo, idade, origem, religiosidade, nível sócio-econômico e outros aspectos, alguns irrelevantes (ou não) como o time do coração. Cada um traz a sua carga de conhecimento e é com elas que procuramos trabalhar. Crianças com lares onde o computador não é nenhum bicho estranho, outras onde o livro é um dragão de sete cabeças. Cada um possui um passado e há de construir o seu futuro. Devemos conhecer quem somos de onde viemos e para onde queremos ir.

“Gosto de ser gente porque inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influencia das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, culturalmente e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo.
... O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história.” FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Ensinar exige respeito o reconhecimento de ser condicionado - 1996.

Se Paulo Freire, estudioso e ícone na educação mundial, considerava-se um ser inacabado, o que resta a mim e a meus alunos senão também assumirmos nossa condição humana de seres em constante formação e procurarmos aprimorar cada vez mais nossos conhecimentos.
Não somos uma individualidade pronta e acabada, que não teve origem e não sofre influências do meio. Somos todos capazes de ser “sujeitos da história”. Conhecer um pouco mais de sua própria identidade e a busca de valorizar o “eu” de cada um. De construir a nossa autonomia e inserirmo-nos no mundo, deixando nossas marcas.