segunda-feira, junho 14, 2010

Novos assuntos velhos

Nesta semana meus alunos receberam pequenos mapas onde puderam identificar onde ficavam suas casas. Depois marcamos em um grande mapa onde morava cada um deles. A curiosidade dos alunos chamou a atenção de que no mapa só estavam identificadas duas escolas e segundo eles havia uma terceira. Eu também conhecia a tal escola, mas não sabia seu endereço, resolvemos investigar e registramos este ponto no mapa. A partir de então todos puderam contribuir com outros pontos de referência que achavam importantes. Na construção de suas identidades puderam observar melhor o entorno de suas casas e como localizarem-se. Um dos meus alunos mora ao lado de um “valão” estivemos neste local no começo do ano. Estudamos o efeito da poluição nas fontes de água. Foi uma atividade bem interessante, pois na continuação estivemos no DMAE onde pudemos ver a trabalheira que dava limpar toda aquela sujeira que pudemos ver in locuo. Esta atividade foi uma semana antes de começar meu estágio, e agora nestes últimos dias trabalhei a questão do bullying em nossa escola.
Mas porque trabalhar questões "da moda"? Não seria um pouco de redundância tratar de questões que eles vêem na mídia no seu dia a dia? Creio que não, quando vêem tais assuntos na tela da TV, muitas vezes não se dão conta do impacto que eles tem no seu dia a dia. Tratar de sustentabilidade, da preservação das espécies, da conservação do planeta não se trata de uma moda passageira, trata-se de nossa sobrevivência. Conversar sobre o bullying, que todos sabem não ser nenhuma novidade que surgiu ontem, não é trocar o nome de velhos problemas e sim procurar novas soluções e se conseguirmos extingui-los, pelo menos amenizá-los. Não pretendo fazer um diálogo vazio, politicamente correto ou sensacionalista, mas sim construir uma consciência coletiva, o mais abrangente possível, dos problemas que afetam sim a mim e meus alunos.
Antigamente se ensinava sobre os problemas de poluir os rios, tiravam do contexto e queriam que nos alunos abstraíssemos tal conceito e compreendêssemos todo o processo sem mal sabermos o que é um rio. Não é preciso levar nossos alunos a nenhum valão, basta levá-los a um bueiro e perguntarmos aonde vai toda a sujeira que ali depositamos e fazê-los compreender que mesmo isolados fazemos parte de um todo. Não é preciso perguntar se souberam ou se viram algum caso de violência em escolas exibido na mídia. Basta perguntar o que viram durante o recreio e que não gostariam que tivessem feito com eles. Ninguém gosta de ser chamado de gordo, ou de magro, de feio ou de burro. Para alguns isso dói mais que muito tapa na cara.
Tratar de problemas que afetam nossa sociedade não é modismo, e expor algo que não pode ser mais escondido. É tirar a venda da ignorância para quem sabe um dia estes sejam problemas a serem estudados apenas pela história.

domingo, junho 13, 2010

Ensinar exige respeito à autonomia do ser educando


O titulo não é meu, é do mesmo livro do Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, com o qual já trabalhei na postagem anterior. Ao ler este capítulo lembrei de um texto que conheci pelo nome de “o menino e a flor”, que hoje descobri ser “o menino pintor”, escrito por Púllias e Young Earl. Nele vemos bem o quanto podemos prejudicar a criatividade e autonomia de uma criança impondo nossos próprios valores e ”pré-conhecimentos”. Respeitar a autonomia do educando (educando pois se aplica a alunos de todas as idades, mas principalmente quando ainda não tem uma identidade plenamente desenvolvida) como nos faz ver Freire, requer um capitulo a parte:



“Não faz mal repetir afirmação várias vezes feita neste texto - o inacabamento de que nos tornamos conscientes nos fez seres éticos. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. (...) . O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exige do cumprimento de seu dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência. É neste sentido que o professor
autoritário, que por isso mesmo afoga a liberdade do educando, amesquinhando o seu
direito de estar sendo curioso e inquieto. Tanto quanto o professor licencioso rompe
com a radicalidade do ser humano...

Deixemos portanto os alunos pintarem flores de todas as cores, de todas as formas, mas sem "pintar o sete", respeitando suas individualidades e suas ideias. O conhecimento, como o próprio ser humano, é inacabado, está em constante processo de crescimento e deve ser reconhecido, pelo pouco ou muito que tem a nos passar. Existe um velho ditado que nos diz que ninguém sabe tudo que não tenha nada a aprender, ninguém sabe nada que não tenha nada a ensinar. Tal axioma deveria ser uma norma a ser seguida por todos alunos e professores. A participação dos alunos em sala de aula é tão importante quanto o respeito do professor a suas manifestações. Em uma sala de aula onde todos tem a liberdade de perguntar ou dizerem o que pensam sobre o assunto só enriquece o conhecimento, tanto do aluno, como do professor que mesmo que saiba todas as respostas, passara a conhecer novas perguntas.

segunda-feira, junho 07, 2010

Identidade e Ação Histórica

Ao trabalhar com a busca da identidade de meus alunos deparei-me com outras questões relacionadas. A identidade vem atrelada ao conhecimento (ou falta dele), a cultura, as raízes e histórias de cada um. Para cada identidade uma individualidade, uma face de muitas faces. Um indivíduo não vive só. Ele faz parte de uma sociedade, tem laços familiares em maior ou menor grau, alguns estruturados, outros nem tanto. Uma sala de aula possui diferentes individualidades, diferenças de sexo, idade, origem, religiosidade, nível sócio-econômico e outros aspectos, alguns irrelevantes (ou não) como o time do coração. Cada um traz a sua carga de conhecimento e é com elas que procuramos trabalhar. Crianças com lares onde o computador não é nenhum bicho estranho, outras onde o livro é um dragão de sete cabeças. Cada um possui um passado e há de construir o seu futuro. Devemos conhecer quem somos de onde viemos e para onde queremos ir.

“Gosto de ser gente porque inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influencia das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, culturalmente e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo.
... O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história.” FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Ensinar exige respeito o reconhecimento de ser condicionado - 1996.

Se Paulo Freire, estudioso e ícone na educação mundial, considerava-se um ser inacabado, o que resta a mim e a meus alunos senão também assumirmos nossa condição humana de seres em constante formação e procurarmos aprimorar cada vez mais nossos conhecimentos.
Não somos uma individualidade pronta e acabada, que não teve origem e não sofre influências do meio. Somos todos capazes de ser “sujeitos da história”. Conhecer um pouco mais de sua própria identidade e a busca de valorizar o “eu” de cada um. De construir a nossa autonomia e inserirmo-nos no mundo, deixando nossas marcas.

quarta-feira, maio 19, 2010

Conhecendo o aluno

Numa educação utópica por mim idealizada, seria iniciar com o mesmo grupo de alunos desde os primeiros anos até o fim do ensino fundamental. Assim os alunos conheceriam melhor o seu grupo e a sua professora. Tal projeto, bom ou mau, seria impraticável por vários motivos. Minha proposta pedagógica em meu estágio é trabalhar com a identidade de meus alunos. Que eles sejam capazes de conhecerem um pouco mais de si mesmos e da realidade que os cercam, que sejam capazes de identificar os traços culturais que cada um possui e a valorizar suas características e diversidades. Mesmo que nem uma das muitas crianças que compõem o universo desta sala de aula volte a encontrar-se novamente, espero que possam ter sua auto estima valorizada e que saibam reconhecer e respeitar as diferenças ou semelhanças, culturais que elas e seus colegas trouxeram para o aprendizado deste ano. E a cada nova turma como professora, sempre procurarei conhecer um pouco mais sobre meus alunos, apesar de demandar tempo e paciência. Cito um trecho extraído do livro “Os Aprendizes do Aprender” de Lourdes Rodrigues:
“Em Paulo Freire, a realização de pesquisa de campo inicial pretende a integração dos grupos e levantamento dos seus interesses, valores, conhecimentos e modo de viver, permitindo que as pessoas se tornem conhecidas sem intimidação ou distanciamento.
A fase inicial do trabalho educativo consiste em conhecer a realidade dos educandos, valorizando os significados culturais do meio e estimulando novos conhecimentos.

Paulo Freire propõe a busca constante de encontrar formas alternativas para o desenvolvimento geral do educando. Para que isso ocorra é necessário um planejamento bem estruturado com os educadores e com o máximo de informações sobre o universo do grupo de educandos, que direciona a educação para a valorização da cultura do individuo e do grupo e a compreensão de seus conhecimentos já existentes. (pág. 88)

sábado, maio 15, 2010

Conceitos Prévios

Ao longo do curso, e de minha prática pedagógica, preocupei-me com as questões de discriminações raciais e como lidar com isto em sala de aula. Já havia refletido sobre o assunto algumas vezes aqui em meu blog. Agora em meu estágio ao trabalhar com a construção da identidade de meus alunos os mesmos velhos problemas vem à tona. Como trabalhar a questão étnico-racial num país onde a grande maioria tem vergonha de identificarem-se como negros ou índios? Valorizar a auto-estima de cada um independentemente de sua “pseudo raça”, cor ou religião continua sendo um desafio. E me sinto gratificada cada vez que ajudo a diminuir as diferenças, ou valorizá-las. O que seria do verde se todos gostassem do amarelo? Não gostaria de viver num mundo onde todos vestissem a mesma cor e lamento que tenha tantas pessoas “daltônicas” por aí.
Retiro um texto do livro Kulé Kulé, educação e identidade negra, editado pela Univerdade Federal de Alagoas, diz o parágrafo da página 14, escrito por Nilma Lino Gomes:

“Não é fácil construir uma identidade negra positive convivendo e vivendo num imaginário pedagógico que olha, vê e trata os negros e sua cultura de maneira desigual. Muitas vezes, os alunos e as alunas negras são vistas como “excluídos”, como alguém que, devido ao seu meio sociocultural e ao seu pertencimento étnico/racial, já carrega congenitamente alguma “dificuldade” de aprendizagem e uma tendência a “desvios” de comportamento, como rebeldia, indisciplina, agressividade e violência. Essas concepções e essas práticas pedagógicas, repletas de valores e representações negativas sobre o negro, resultam, muitas vezes, na introjeção do fracasso e na exteriorização do mesmo pelos alunos e alunas, expresso numa relação de animosidade com a escola e com o que muitos/as aluno/as introjetem o racismo e o preconceito racial.
Essa perspectiva, que prima pela exclusão e trata as diferenças como deficiências, transforma as desigualdades raciais, construídas o decorrer da história, nas relações políticas e sociais, em naturalizações. As desigualdades construídas socialmente passam a ser consideradas como características próprias do negro e da negra. Dessa maneira, um povo cuja história faz parte da nossa formação cultural, social e histórica, passa a ser visto através dos mais variados estereótipos. Ser negro torna-se um estigma. Se passarmos em revista vários currículos do ensino fundamental e médio, veremos que o negro, na maioria das vezes, é apresentado aos alunos e as alunas unicamente como escravo – sem passado, sem história – exercendo somente algumas influências na formação da sociedade brasileira. Numa outra face desse mesmo procedimento, o negro, quando liberto, é apresentado como marginal, desdobrando-se na figura do “malandro”. Essa postura reforça o estereótipo do não-lugar social imposto.”

domingo, maio 02, 2010

Família, Alunos e Escola

Há duas semanas realizamos o Dia da Família na Escola. Os pais foram convidados a uma atividade onde foi possível conhecê-los um pouco mais. Alguns pais estão mais presentes no dia-a-dia da escola, fazem perguntas, trocam idéias, acompanham seus filhos quer sejam chamados ou não. Este momento serviu para aproximar um pouco mais aqueles que nem sempre tem tempo ou não tiveram oportunidade de conhecer as professoras de seus alunos. Sábado à tarde, um dia bem produtivo e agradável, creio que para ambas as partes. A família de meus alunos pode conhecer um pouco mais sobre a escola de seus filhos e nós um pouco mais a eles.
Na semana passada foi a vez de meus alunos conhecerem sua escola. Uma saída de campo dentro dos muros da escola. Saindo da sala e conhecendo todos os setores e funcionários que compõem o microcosmo do Jango. Descobriram o nome dos funcionários, suas funções, entraram em salas que normalmente não entram como a sala do diretor e da cozinha. Foi um passeio divertido e construtivo. Muitos habituados somente a sala de aula, ao refeitório e ao banheiro da escola, puderam ver outros ambientes e pessoas. A receptividade dos funcionários e a integração entre os alunos trouxeram alegria, curiosidade e aprendizado.
Ambas as atividades, entre pais e alunos serviu para transpor as barreiras que existem entre o lar e a escola. Se a escola é o segundo lar, porque não conhecê-la melhor? A identidade começa por se descobrir, quem são as pessoas a nossa volta e que fazem parte de nossa trajetória.

quarta-feira, abril 21, 2010

Contando histórias


Aproveitando o oportuno comentário da tutora Maura, faço uma reflexão sobre o meu estágio que está disponível no Pbwork, para os colegas que quiserem ler.
Deixo aqui a dica de leitura para todos do livro Catando Piolho, Contando Histórias, de Daniel Munduruku. E para os que desejarem segue o link para baixar o audiobook. Um excelente contador de histórias.

terça-feira, abril 13, 2010

Invisíveis



Lembro de uma placa em uma obra municipal há muitos anos, dizia algo parecido com: Estamos investindo onde você não vê. Tratava-se da ampliação da rede de água e esgoto. Por estar escondida dos olhos da população tal obra poderia passar despercebida. Investimento público tem que aparecer. Quanto mais vistoso melhor. Por isso, que muitos governantes gostam tanto de inaugurar estradas e viadutos. Investir em saúde e educação não dá tanta mídia. Poderíamos até dizer que não investir na segurança possa ser um pouco mais complicado, não por dar manchetes no jornal, mas por poder afetar o interesse de cidadãos de bem (leia-se cidadãos de bens). Quanto à saúde e educação, quem utiliza o SUS? Quem estuda em escolas públicas? A população que mais necessita desses serviços tem dificuldade até de saber quem deveria zelar por eles. É de responsabilidade do município, do estado ou da união? Governantes valem-se desta dúvida para empurrar a culpa a outrem.
Sempre houve filas nas portas de hospitais e postos de saúde. A população sempre morreu de causas nem tão desconhecidas assim: falta de atendimento médico, por exemplo. Filas de espera por cirurgias não aparecem, não são notadas. Ninguém quer precisar de médicos mesmo. A saúde? Vai bem, obrigado!
Um anúncio de aumento do salário dos professores cai bem nos ouvidos da massa, mesmo que o aumento seja insignificante e parcelado. Afinal, somente o magistério sabe há quanto tempo está sem ter os seus salários reajustados. Alunos continuam a serem matriculados, a freqüentarem as aulas, a se formarem. Quem está interessado na qualidade do ensino? Aqueles que se importam procuram complementar os estudos dos seus filhos do jeito que podem, a grande maioria dá graças a Deus que conseguiram o diploma de conclusão. Aprender nunca se aprendeu mesmo. O importante é o reconhecimento, quer seja num diploma vazio ou em um anúncio estrondoso maior que a realidade no contra cheque.
Na conjuntura mundial, estar empregado é tão importante quanto o salário que se ganha. Sempre existiram profissionais para trabalhar no lugar dos descontentes. O que não se vê é o impacto que o descaso causa nas pessoas. Quantos professores você conhece que tomam Fluoxetina? Como vai a qualidade de nosso ensino? Certamente há estudos que comprovam que tudo vai bem. Nunca falta dinheiro para gerar quadros estatísticos. Os professores é que são loucos, é por isso que tomam antidepressivos. Se nosso país vai bem com tanta roubalheira, com tanto abandono, com todo este mau gerenciamento, imagine como não estaríamos com o governo investindo massivamente em educação. Nossos profissionais em educação mostram toda sua competência tendo que enfrentar tanto mau tempo pela frente. Mesmo sendo invisíveis na maioria das vezes, sempre haverá um professor que será lembrado por seus alunos.

quinta-feira, abril 08, 2010

Quem cuidará de nossas crianças?




Quando vejo o desempenho de alguns alunos fico pensando se não há algo errado. Quanta dificuldade. Muitas herdadas, o
utras passadas adiante, outras ignoradas. Alunos chegando a um terceiro ano, sem saber ler ou escrever. E, em nome de programas governamentais são “incentivados” a passarem de ano. Crianças com problemas comportamentais sérios. Mal educadas em todos os sentidos. Desinteressadas e criadas com desleixo. Parece que não existem mais pais, que os professores desistiram de acreditar na educação transformadora, que os educadores acham que a responsabilidade é dos governantes. Vivemos uma nova era. A informática facilitou muita coisa, e parece que não a aproveitamos. Os jogos eletrônicos deveriam servir para desenvolver o raciocínio, o aprendizado, a lógica e percepção dos jovens e crianças. Mas o que vemos é o incentivo a violência, o ócio, a indolência, o isolamento. Os “torpedos”, as salas de chat, os jogos em grupo pela rede, em vez de incentivarem a escrever e ler, tornam-se portas para os vícios de escrita e linguagem. A televisão emburrece, o apelo sexual é mais forte que o educacional. Culpa dos nossos filhos, ou dos pais que criam os hábitos que vão ser copiados. Hoje em dia não existe mais a desculpa de que não se lê porque os livros são caros. Continuam caros sim, mas se gasta mais tomando cerveja num final de semana, do que comprando um livro que pode passar de mão em mão. Tem mais gente nas filas de cinema que nas bibliotecas. Pais que são vistos lendo certamente incentivam os filhos a leitura. Mas no final das contas quem é o culpado? A pergunta aqui deveria ser outra: - Como vamos encontrar uma solução? Os pais devem ser chamados a participarem da educação de seus filhos, partindo de sua própria. O simples ato de desligar a televisão por uma hora e dedicarem-se a leitura de um livro incentiva a criança a aprender a ler. Desperta a curiosidade do jovem. Por que se pode ter prazer com um bom livro? Certas coisas deveriam vir de berço. Ensinar a respeitar os outros, a ser gentil, a cuidar de sua higiene, a ser civilizado, a conservar o patrimônio público e alheio, a não matar, não roubar, não soquear os colegas. E todos tantos outros "NÃOS", que são necessários à nossa educação, impor limites também é educar. "Quem ama educa!" E quem educa também deveria aprender a amar um pouco mais. Aprender com a incapacidade de uma sociedade de educar seus filhos e tentar dar o melhor de si. Mesmo sabendo que talvez, nem pais, muito menos nossos governantes estejam interessados nisso.