segunda-feira, maio 25, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
domingo, maio 17, 2009
Os Excluídos
Recentemente fiz um texto para participar do Fórum sobre Inclusão das crianças Portadoras de Necessidades Especiais, a partir desta e de outras discussões quero deixar aqui um pouco desta reflexão.
Inclusão? Estaremos incluindo ou excluindo? Numa escola onde cadeirantes não tem rampas de acesso, onde cegos não possuem material que possam ler, onde crianças com paralisia cerebral ficam apáticas disputando a atenção juntamente com outros tantos com problemas muitas vezes não diagnosticados e que em comum vão tendo repetências atrás de repetências. Como falar de inclusão sem as verdadeiras condições para receberem esses alunos? A lei ampara e prega a inclusão. Li a lei, li o fórum, li os textos e vi os vídeos. Olhei a realidade que me cerca e percebi que algo está errado. A Constituição Brasileira prega:
“salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (...)”
Talvez vocês se perguntem o que tem haver uma coisa com outra. O princípio é o mesmo, na lei todas as preocupações estão presentes e atendidas, mas o que vemos é uma sociedade tentando se adaptar a dura realidade. Os PNES lutam por seus direitos, como o trabalhador que tem que escolher entre o pão e a educação. Filhos de excluídos lutam pela inclusão. Os excluídos por cor, gênero ou origem lutam pela igualdade social. Vivemos numa sociedade desigual. A lei para os ricos não é a mesma para os pobres. E isto não é apenas um dito popular, está presente na mídia e com exemplos recentes. Diz a canção Cidadão, de Zé Ramalho:
“Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá,
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa pus, cimento
Ajudei a rebocar.
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente:
- Pai vou me matricular.
Mas me diz um cidadão:
- Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar.”
Pobre trabalhador, este não sabe que a Constituição lhe assegura um salário mínimo que lhe possibilita colocar sua filha numa boa escola pública, outro direito adquirido, O Estado é nosso grande pai. O Estado garante a inclusão, e se não está funcionando é por culpa de meia dúzia de professores revoltados que não querem se adaptar, estes educadores, que não tem sentimentos de solidariedade e não pensam em nossas crianças PNES. Será que é esse o problema da inclusão?
Todos têm os mesmos direitos, quer seja o filho do trabalhador, do desempregado, do viciado em crack, do índio, do branco, do negro, o cadeirante, o hiperativo, o cego, o surdo, o deficiente mental, o gay, o imigrante ou emigrante. Até mesmo os ricos têm direito a estudar na escola pública. A única diferença é que apesar da inclusão lhes ser garantida, sua permanência nem sempre será uma experiência “construtora” do saber.
Nossas discussões giram sempre em torno dos mesmos problemas, EDUCAÇÃO NÃO É PRIORIDADE, NEM NESTE, MUITO MENOS, NOS GOVERNOS ANTERIORES. Lendo o histórico das leis e políticas públicas que tratam da educação especial, vemos que muito pouco se avançou de fato nessa questão. E que toda e qualquer mudança só se deu a partir de muita pressão, principalmente pressão da opinião publica EXTERNA.
O Brasil é sem duvida um país de vanguarda, poderia citar vários exemplos, mas fico com um só: nós temos o sistema bancário mais avançado do mundo. Lição aprendida após anos lidando com uma inflação monstruosa. Seria interessante linkar todos as qualidades de nosso país, mas creio que esse não seja o momento, sei que para o Brasil realmente ser grande é preciso tratar da educação com seriedade e qualidade. A história da educação brasileira não me trás conforto, os problemas encontrados na educação especial é somente mais um deles. Estou cursando uma faculdade, onde algumas questões, que pensei que seriam melhor trabalhadas, são tratadas apenas com sentimentalismo. Entro num fórum, cujo principal objetivo é discutir as idéias e questões levantadas nos textos, e o que vejo são somente um desabafo de minhas colegas. Foram pouquíssimas as participações que discutiram os textos ou procuraram um embasamento teórico mais aprofundado. Se for pra desabafar não preciso freqüentar uma universidade, posso sair de minha escola e ficar conversando com minhas colegas de trabalho.
Vejo pessoas interessadas e preocupadas com a questão educacional, mas por outro lado fico triste em perceber que muitos acham que isso aqui é uma grande Disneylândia, ou uma Neverland, onde tudo é lindo e maravilhoso e que a inclusão é só uma questão de receber com amor e carinho nossas crianças.
Inclusão? Estaremos incluindo ou excluindo? Numa escola onde cadeirantes não tem rampas de acesso, onde cegos não possuem material que possam ler, onde crianças com paralisia cerebral ficam apáticas disputando a atenção juntamente com outros tantos com problemas muitas vezes não diagnosticados e que em comum vão tendo repetências atrás de repetências. Como falar de inclusão sem as verdadeiras condições para receberem esses alunos? A lei ampara e prega a inclusão. Li a lei, li o fórum, li os textos e vi os vídeos. Olhei a realidade que me cerca e percebi que algo está errado. A Constituição Brasileira prega:
“salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (...)”
Talvez vocês se perguntem o que tem haver uma coisa com outra. O princípio é o mesmo, na lei todas as preocupações estão presentes e atendidas, mas o que vemos é uma sociedade tentando se adaptar a dura realidade. Os PNES lutam por seus direitos, como o trabalhador que tem que escolher entre o pão e a educação. Filhos de excluídos lutam pela inclusão. Os excluídos por cor, gênero ou origem lutam pela igualdade social. Vivemos numa sociedade desigual. A lei para os ricos não é a mesma para os pobres. E isto não é apenas um dito popular, está presente na mídia e com exemplos recentes. Diz a canção Cidadão, de Zé Ramalho:
“Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá,
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa pus, cimento
Ajudei a rebocar.
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente:
- Pai vou me matricular.
Mas me diz um cidadão:
- Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar.”
Pobre trabalhador, este não sabe que a Constituição lhe assegura um salário mínimo que lhe possibilita colocar sua filha numa boa escola pública, outro direito adquirido, O Estado é nosso grande pai. O Estado garante a inclusão, e se não está funcionando é por culpa de meia dúzia de professores revoltados que não querem se adaptar, estes educadores, que não tem sentimentos de solidariedade e não pensam em nossas crianças PNES. Será que é esse o problema da inclusão?
Todos têm os mesmos direitos, quer seja o filho do trabalhador, do desempregado, do viciado em crack, do índio, do branco, do negro, o cadeirante, o hiperativo, o cego, o surdo, o deficiente mental, o gay, o imigrante ou emigrante. Até mesmo os ricos têm direito a estudar na escola pública. A única diferença é que apesar da inclusão lhes ser garantida, sua permanência nem sempre será uma experiência “construtora” do saber.
Nossas discussões giram sempre em torno dos mesmos problemas, EDUCAÇÃO NÃO É PRIORIDADE, NEM NESTE, MUITO MENOS, NOS GOVERNOS ANTERIORES. Lendo o histórico das leis e políticas públicas que tratam da educação especial, vemos que muito pouco se avançou de fato nessa questão. E que toda e qualquer mudança só se deu a partir de muita pressão, principalmente pressão da opinião publica EXTERNA.
O Brasil é sem duvida um país de vanguarda, poderia citar vários exemplos, mas fico com um só: nós temos o sistema bancário mais avançado do mundo. Lição aprendida após anos lidando com uma inflação monstruosa. Seria interessante linkar todos as qualidades de nosso país, mas creio que esse não seja o momento, sei que para o Brasil realmente ser grande é preciso tratar da educação com seriedade e qualidade. A história da educação brasileira não me trás conforto, os problemas encontrados na educação especial é somente mais um deles. Estou cursando uma faculdade, onde algumas questões, que pensei que seriam melhor trabalhadas, são tratadas apenas com sentimentalismo. Entro num fórum, cujo principal objetivo é discutir as idéias e questões levantadas nos textos, e o que vejo são somente um desabafo de minhas colegas. Foram pouquíssimas as participações que discutiram os textos ou procuraram um embasamento teórico mais aprofundado. Se for pra desabafar não preciso freqüentar uma universidade, posso sair de minha escola e ficar conversando com minhas colegas de trabalho.
Vejo pessoas interessadas e preocupadas com a questão educacional, mas por outro lado fico triste em perceber que muitos acham que isso aqui é uma grande Disneylândia, ou uma Neverland, onde tudo é lindo e maravilhoso e que a inclusão é só uma questão de receber com amor e carinho nossas crianças.
quarta-feira, maio 06, 2009
EU TENHO UM SONHO - Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me a vocês no dia que entrará para a história como a maior
demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Há cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou
a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de
esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça.
Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e
as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de
prosperidade material.
Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram
exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa
condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os
arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a
Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo
americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os
homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis
de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou
esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo
negro um cheque sem fundos, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a
acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar
este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a
segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento
para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol
da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a
pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos
os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do
legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de
liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam
que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios
de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio
da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de
ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da
amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e
disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência
física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força
física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade
negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para
muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram
entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a
liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à
frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos
direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da
brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a
fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das
cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um
Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não
estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo
como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns
de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas
onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e
pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem
trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem
para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana,
voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma
maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e
amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho
americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de
sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens
são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes
de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à
mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira
com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação
onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um
sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador
que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama
meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas
brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão
abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a
glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós
poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós
poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de
fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir
encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será
o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo
significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós
deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós
poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens
brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras
do velho espiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
Há cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou
a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de
esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça.
Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e
as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de
prosperidade material.
Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram
exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa
condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os
arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a
Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo
americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os
homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis
de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou
esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo
negro um cheque sem fundos, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a
acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar
este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a
segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento
para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol
da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a
pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos
os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do
legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de
liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam
que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios
de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio
da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de
ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da
amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e
disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência
física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força
física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade
negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para
muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram
entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a
liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à
frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos
direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da
brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a
fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das
cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um
Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não
estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo
como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns
de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas
onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e
pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem
trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem
para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana,
voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma
maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e
amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho
americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de
sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens
são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes
de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à
mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira
com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação
onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um
sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador
que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama
meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas
brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão
abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a
glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós
poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós
poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de
fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir
encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será
o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo
significado.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós
deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós
poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens
brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras
do velho espiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
terça-feira, abril 28, 2009
Quilombo e quilombolas
Neste final de semana fiz, juntamente com outros colegas da UFRGS, principalmente acadêmicos do curso de história, uma Visitação Histórica a cidade de Mostardas. A parte que mais me interessou foi nossa ida ao Quilombo de Casca. Há muito que me interesso pelo tema e pude enriquecer meus conhecimentos, embora tenha ficado com “um gostinho de quero mais”, a experiência foi gratificante. Procurarei neste breve relato sintetizar um pouco da fala de Nilza, quilombola e artesã, que tão gentilmente nos acolheu e contou um pouco sobre sua comunidade.
Não vou procurar me ater muito à história propriamente dita do quilombo, pois os dados que coletamos estão muito bem registrados no seu site. Minha fala procurará dar ênfase ao relato de Nilza contando como o quilombo é visto pelos próprios quilombolas.
Uma das primeiras perguntas que lhe dirigiram é o porquê do nome de Quilombo de Casca. Segundo ela teria vindo dos morros de cascas, os sambaquis. Por muito tempo nem sabiam o que era um sambaqui. Depois descobriram que os sambaquis eram depósitos construídos pelo homem constituídos por materiais orgânicos, restos de peixes, conchas, etc. Em cima do qual os índios do litoral habitavam e enterravam seus mortos. Esses verdadeiros morros de conchas foram depredados em sua maioria para a retirada do calcário, muito utilizado em construções.
Segundo Nilza, a história da formação do quilombo não era ensinada na escola e pouco comentada no seio da comunidade. Muitos deles queriam até mesmo esquecer este passado. Alguns deles nem ao menos se consideravam negros, classificando-se como morenos. Tratava-se de querer esquecer sua origem. Hoje em dia, eles têm um bom professor de história que tenta resgatar as memórias do quilombo e sua cultura. Com o passar do tempo voltaram a se considerarem negros, mas ainda não há aquele orgulho de ser negro, de ser quilombola. Pela sua fala estes valores estão novamente sendo recuperados e estão tomando consciência de sua importância, algo há muito esquecido e reprimido.
“Agora com um presidente negro pode ser que isso mude que eles se assumam e lutem” – Nilza, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos da América, Barak Obahma.
Analisando as falas de Nilza e de outros quilombolas me parece que foi preciso uma presença externa para resgatar os seus valores internos. Viveram um período de esquecimento e perda de identidade, querendo apagar o passado de sofrimentos e humilhações que seus antepassados sofreram. De sua cultura nada restou além do Terno de Reis. Mas a dignidade de ser um quilombola está sendo construída, ou reconstruída, aos poucos. Passou o período de esquecer, chegou o tempo de lembrar um passado e passar a ter orgulho dele. Recuperar uma cultura talvez leve tanto tempo quanto levou para esquecê-la. Dos muitos exemplos externos é interessante que o orgulho de verem um presidente negro eleito também lhes ajude a reconhecerem o seu próprio potencial e a origem comum da diáspora negra.
Não vou procurar me ater muito à história propriamente dita do quilombo, pois os dados que coletamos estão muito bem registrados no seu site. Minha fala procurará dar ênfase ao relato de Nilza contando como o quilombo é visto pelos próprios quilombolas.
Uma das primeiras perguntas que lhe dirigiram é o porquê do nome de Quilombo de Casca. Segundo ela teria vindo dos morros de cascas, os sambaquis. Por muito tempo nem sabiam o que era um sambaqui. Depois descobriram que os sambaquis eram depósitos construídos pelo homem constituídos por materiais orgânicos, restos de peixes, conchas, etc. Em cima do qual os índios do litoral habitavam e enterravam seus mortos. Esses verdadeiros morros de conchas foram depredados em sua maioria para a retirada do calcário, muito utilizado em construções.
Segundo Nilza, a história da formação do quilombo não era ensinada na escola e pouco comentada no seio da comunidade. Muitos deles queriam até mesmo esquecer este passado. Alguns deles nem ao menos se consideravam negros, classificando-se como morenos. Tratava-se de querer esquecer sua origem. Hoje em dia, eles têm um bom professor de história que tenta resgatar as memórias do quilombo e sua cultura. Com o passar do tempo voltaram a se considerarem negros, mas ainda não há aquele orgulho de ser negro, de ser quilombola. Pela sua fala estes valores estão novamente sendo recuperados e estão tomando consciência de sua importância, algo há muito esquecido e reprimido.
“Agora com um presidente negro pode ser que isso mude que eles se assumam e lutem” – Nilza, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos da América, Barak Obahma.
Analisando as falas de Nilza e de outros quilombolas me parece que foi preciso uma presença externa para resgatar os seus valores internos. Viveram um período de esquecimento e perda de identidade, querendo apagar o passado de sofrimentos e humilhações que seus antepassados sofreram. De sua cultura nada restou além do Terno de Reis. Mas a dignidade de ser um quilombola está sendo construída, ou reconstruída, aos poucos. Passou o período de esquecer, chegou o tempo de lembrar um passado e passar a ter orgulho dele. Recuperar uma cultura talvez leve tanto tempo quanto levou para esquecê-la. Dos muitos exemplos externos é interessante que o orgulho de verem um presidente negro eleito também lhes ajude a reconhecerem o seu próprio potencial e a origem comum da diáspora negra.
Marcadores:
Antropologia,
Etnia,
Etnografia,
História,
Quilombo
terça-feira, abril 21, 2009
Esta semana participei de um seminário sobre a questão indígena. Foi muito ilustrativo, com a participação de antropólogos, historiadores, e pessoas que trabalham com essa temática. E como não poderia deixar de participar, os próprios índios, destaco a presença do cacique Cirilo, da tribo Mbyá-Guarani, localizada na Lomba do Pinheiro. Evento este que pretendo abordar brevemente aqui. Por hora, gostaria de dizer que tal evento foi muito útil para minhas reflexões ao trabalhar com a questão étnico racial em sala de aula.
Segue o trabalho que produzi na disciplina de Questões étnico raciais na educação
Já há longo tempo venho trabalhando com a construção da Linha do Tempo com meus alunos. Ao iniciar o ano solicito que façam uma pesquisa junto as suas famílias, que lhes possibilite resgatar sua historia através da Linha do Tempo. Desta maneira os alunos descobrem suas origens e os principais acontecimentos que ocorreram ao longo de suas vidas. Em conjunto com a árvore genealógica e a origem de suas famílias, trabalhando assim conceitos básicos de história e sociedade.
Ao receber a proposta da atividade de trabalhar com a questão étnica racial, resolvi dar continuidade a este trabalho que já estava em andamento. Porém, tive que rever alguns conceitos. O que é raça? O que é etnia? A questão do racismo e suas conseqüências não é novidade em nosso meio e já trabalhei, e já vi muitos trabalhos que abordavam o assunto. Então o porquê de minha estranheza? Durante esse mesmo período participei de um seminário sobre a questão indígena, troquei várias informações sobre outras pessoas e li materiais sobre a questão étnica racial. Como, conclusão de todas essas atividades percebi que não estava apta a tratar do tema com meus alunos. Como aproximar deles uma linguagem tão complexa e contraditória? Nesta minha tentativa, vi-me obrigada a aprofundar meus estudos.
Segundo a ciência moderna raça humana é uma só. Não há como diferenciar as diferentes diversidades que compõem a população humana. A raça pura é um mito há muito derrubado. Será errado então falarmos em diferentes raças, como a raça branca, negra, indígena e asiática? Na tentativa de resolver o caso e destacar essas diferenças, os antropólogos optaram pelo conceito de etnia. Vemos então que a questão étnica racial nada mais é do que uma adaptação cultural para destacarmos que existem diferentes raças e ao longo da história houve a exploração de uma pela outra. Se assim não o fizéssemos não poderíamos falar em racismo, pois não havendo raças a discriminação seria apenas algo imaginário. Sabendo que esta chaga ainda está aberta e na busca da igualdade de direitos é que resgatamos este conceito de etnia e raça. Etnia por sua vez se tornou um conceito bem mais amplo, pois podemos diferenciar diferentes povos quer pela cultura e língua, quer pelos seus costumes. Vale dizer que entre os índios, conceito mais amplo de raça, possuem diversas etnias: guaranis, tapuias, charruas, tupis, etc. Poderíamos destacar o mesmo entre os negros: zulus, bandos, pigmeus. Até mesmo entre brancos: alemães, italianos, catalões, sérvios e bósnios, etc. O que se destaca não é mais apenas a cor da pele, embora esta ainda seja a principal característica, mas agora fatores culturais também são levados em conta.
Como tentei resumir no parágrafo acima esta é a questão que eu deveria levar para sala de aula. Como fazer um mosaico étnico racial sem rotular meus alunos como sendo: negros, brancos ou índios? Ao levantar suas origens trabalhando com suas ancestralidades naturalmente nos “classificamos” como negros ou brancos, alguns com origens indígenas, embora não se considerassem como tais.
Surgiu então através deste quadro a possibilidade de se trabalhar: Afinal o que é raça? Somos ou não somos todos humanos. Devemos ter orgulho de sermos brancos, negros, índios, asiáticos? Demos início a um longo diálogo sobre as questões étnicas raciais e principalmente ao racismo, sobre as suas diferentes formas. A partir daí montamos um mosaico com nossas fotos, onde se sobressaia na parte central meus alunos e na parte externa, fotos de seus parentes e de suas infâncias. Não rotulamos as pessoas como brancas ou negras, assim como a sua origem geográfica. Consideramos-nos como sendo brancos ou negros e sabemos nossa origem, porém cada um tem a consciência que não deverá ser considerado melhor ou pior por suas características herdadas. Construímos assim nossa formação étnica racial e resgatamos nossas origens sem nos valermos de conceitos ou preconceitos. Dando continuidade ao trabalho montamos um vídeo com fotos dos alunos e seus familiares.
Segue o trabalho que produzi na disciplina de Questões étnico raciais na educação
Trabalhando Raça e Etnia em Sala de Aula
Já há longo tempo venho trabalhando com a construção da Linha do Tempo com meus alunos. Ao iniciar o ano solicito que façam uma pesquisa junto as suas famílias, que lhes possibilite resgatar sua historia através da Linha do Tempo. Desta maneira os alunos descobrem suas origens e os principais acontecimentos que ocorreram ao longo de suas vidas. Em conjunto com a árvore genealógica e a origem de suas famílias, trabalhando assim conceitos básicos de história e sociedade.
Ao receber a proposta da atividade de trabalhar com a questão étnica racial, resolvi dar continuidade a este trabalho que já estava em andamento. Porém, tive que rever alguns conceitos. O que é raça? O que é etnia? A questão do racismo e suas conseqüências não é novidade em nosso meio e já trabalhei, e já vi muitos trabalhos que abordavam o assunto. Então o porquê de minha estranheza? Durante esse mesmo período participei de um seminário sobre a questão indígena, troquei várias informações sobre outras pessoas e li materiais sobre a questão étnica racial. Como, conclusão de todas essas atividades percebi que não estava apta a tratar do tema com meus alunos. Como aproximar deles uma linguagem tão complexa e contraditória? Nesta minha tentativa, vi-me obrigada a aprofundar meus estudos.
Segundo a ciência moderna raça humana é uma só. Não há como diferenciar as diferentes diversidades que compõem a população humana. A raça pura é um mito há muito derrubado. Será errado então falarmos em diferentes raças, como a raça branca, negra, indígena e asiática? Na tentativa de resolver o caso e destacar essas diferenças, os antropólogos optaram pelo conceito de etnia. Vemos então que a questão étnica racial nada mais é do que uma adaptação cultural para destacarmos que existem diferentes raças e ao longo da história houve a exploração de uma pela outra. Se assim não o fizéssemos não poderíamos falar em racismo, pois não havendo raças a discriminação seria apenas algo imaginário. Sabendo que esta chaga ainda está aberta e na busca da igualdade de direitos é que resgatamos este conceito de etnia e raça. Etnia por sua vez se tornou um conceito bem mais amplo, pois podemos diferenciar diferentes povos quer pela cultura e língua, quer pelos seus costumes. Vale dizer que entre os índios, conceito mais amplo de raça, possuem diversas etnias: guaranis, tapuias, charruas, tupis, etc. Poderíamos destacar o mesmo entre os negros: zulus, bandos, pigmeus. Até mesmo entre brancos: alemães, italianos, catalões, sérvios e bósnios, etc. O que se destaca não é mais apenas a cor da pele, embora esta ainda seja a principal característica, mas agora fatores culturais também são levados em conta.
Como tentei resumir no parágrafo acima esta é a questão que eu deveria levar para sala de aula. Como fazer um mosaico étnico racial sem rotular meus alunos como sendo: negros, brancos ou índios? Ao levantar suas origens trabalhando com suas ancestralidades naturalmente nos “classificamos” como negros ou brancos, alguns com origens indígenas, embora não se considerassem como tais.
Surgiu então através deste quadro a possibilidade de se trabalhar: Afinal o que é raça? Somos ou não somos todos humanos. Devemos ter orgulho de sermos brancos, negros, índios, asiáticos? Demos início a um longo diálogo sobre as questões étnicas raciais e principalmente ao racismo, sobre as suas diferentes formas. A partir daí montamos um mosaico com nossas fotos, onde se sobressaia na parte central meus alunos e na parte externa, fotos de seus parentes e de suas infâncias. Não rotulamos as pessoas como brancas ou negras, assim como a sua origem geográfica. Consideramos-nos como sendo brancos ou negros e sabemos nossa origem, porém cada um tem a consciência que não deverá ser considerado melhor ou pior por suas características herdadas. Construímos assim nossa formação étnica racial e resgatamos nossas origens sem nos valermos de conceitos ou preconceitos. Dando continuidade ao trabalho montamos um vídeo com fotos dos alunos e seus familiares.
segunda-feira, abril 20, 2009
Identidade
Todos têm uma identidade, e é a partir dela, que costumo dar início as aulas. Propondo atividades onde cada um possa encontrá-la, com o auxílio da família, dos relatos, das memórias familiares e individuais.
Neste ano realizei com meus alunos uma linha do tempo e pesquisamos a origem dos seus nomes (o porquê da escolha dos pais). Muitos não sabiam sobre seus nomes, sobre seu nascimento e detalhes como: o local, a hora, medidas, etc. Descobriram histórias de suas infancias que não lembravam ou desconheciam. Com a ajuda da família construíram suas biografias, e depois as apresentaram aos colegas, sob forma da linha do tempo. Foi um momento muito gostoso, onde cada um expôs suas histórias do seu jeito, cada um virou um pequeno historiador resgatando um pouco da história, onde todos foram participantes ativos. Tudo foi devidamente registrado e resolvemos fazer um vídeo com as imagens da apresentação.
Com a devida autorização dos pais, compartilho com todos esses momentos.
Neste ano realizei com meus alunos uma linha do tempo e pesquisamos a origem dos seus nomes (o porquê da escolha dos pais). Muitos não sabiam sobre seus nomes, sobre seu nascimento e detalhes como: o local, a hora, medidas, etc. Descobriram histórias de suas infancias que não lembravam ou desconheciam. Com a ajuda da família construíram suas biografias, e depois as apresentaram aos colegas, sob forma da linha do tempo. Foi um momento muito gostoso, onde cada um expôs suas histórias do seu jeito, cada um virou um pequeno historiador resgatando um pouco da história, onde todos foram participantes ativos. Tudo foi devidamente registrado e resolvemos fazer um vídeo com as imagens da apresentação.
Com a devida autorização dos pais, compartilho com todos esses momentos.
segunda-feira, abril 13, 2009
Um pouco de todos, um pouco de mim.
Ao realizar o trabalho sobre ancestralidade, abri o velho álbum de fotos da família e encantei-me com tantos achados, tantas recordações que estavam esquecidas, perdidas na memória, elas trouxeram uma saudade querida. Então, resolvi compartilhar as lembranças e imagens com todos.
Minha caixinha de fotos trouxe à lembrança muitos sentimentos, tal qual a caixa de Pandora, com a única diferença que todos os sentimentos foram bons.
Vi um pouco de mim, do que sou e do que fui. Vi um pouco do todo que ajudou a tornar-me o que sou. Parentes, amigos, minha ancestralidade e minhas escolhas. Nós somos um pouco disso tudo.
Algumas coisas herdadas, outras adquiridas. Algumas moldadas com o tempo, outras perdidas na estrada. O hoje deve muito ao passado. O amanhã tem sua base formada nestes pequenos momentos. Minha caixinha resgata um período que por mais esquecido que estivesse sempre fará parte de mim.
Minha caixinha de fotos trouxe à lembrança muitos sentimentos, tal qual a caixa de Pandora, com a única diferença que todos os sentimentos foram bons.
Vi um pouco de mim, do que sou e do que fui. Vi um pouco do todo que ajudou a tornar-me o que sou. Parentes, amigos, minha ancestralidade e minhas escolhas. Nós somos um pouco disso tudo.
Algumas coisas herdadas, outras adquiridas. Algumas moldadas com o tempo, outras perdidas na estrada. O hoje deve muito ao passado. O amanhã tem sua base formada nestes pequenos momentos. Minha caixinha resgata um período que por mais esquecido que estivesse sempre fará parte de mim.
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