Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, março 23, 2010

Começar de Novo

Começar de novo.

Mais um ano letivo se inicia.

Em nossas vidas vivemos um eterno início.

O ciclo se repete.

Que bom que é assim.

Lembro das muitas histórias que ouvi falar de pessoas que morrem ao se aposentar.

Elas perderam a esperança de um novo começo, entregaram-se, por sentirem-se inúteis e sem forças para recomeçar.

Se os desafios de um novo início parecem assustar, é justamente estes desafios que nos fazem seguir em frente e enfrentá-los dia-a-dia até o fim.

Fim não, um novo começo.

Dizem que o ser humano, por natureza, tem medo de mudanças.

E o que é o iniciar senão uma mudança, uma nova vida, novas rotinas, caras novas e reencontro de outras não tão novas assim.

O bom do recomeçar é saber que tudo se renova: a esperança, a força de vontade, a superação, os novos limites a serem vencidos.

Tudo está no começo.

O fim é a hora de colher os resultados.

Em nosso caso teremos uma nova turma formada por nós educadores e a formação acadêmica de nós, universitários.

Então será o fim?

Espero que não.

Sempre existiram novos desafios, por toda a nossa vida, e para aqueles que acreditam na reencarnação por mais de uma.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Falando em exemplo...

Há poucos dias escrevi que a beleza contagia, que bons exemplos devem ser seguidos. Comentei sobre a reforma que fizemos em minha sala de aula e sobre o vandalismo. Pouco tempo depois o caso da professora Denise vem a tona. O ocorrido foi anterior ao meu post no blog, mas só foi divulgado depois. Mais do que nunca me coloquei no lugar desta professora, não por defesa da classe, mas por me identificar com o trabalho que fizeram em sua escola, uma belezura. A professora Denise está na mídia. Apareceu no jornal Hoje, no jornal do almoço, Zero Hora, Diário Gaúcho, no Balanço Geral e no Jornal da Record. Está nos principais sites e no Youtube. O que ela fez? Deu o exemplo que tantos brasileiros gostariam de ter visto. No país do deixa pra lá, do jeitinho e do levar vantagem em tudo, a cobrança por responsabilidades encanta a todos. Não quero julgar a atitude da mãe do adolescente, mãe é mãe, mas parabenizo a professora que corajosamente teve uma atitude firme, e a sustentou. Na enquete que foi ao ar, 97% dos participantes aprovaram o comportamento da professora. A comunidade escolar deu seu total apoio a ela. E a própria SEC foi obrigada a abonar o comportamento da educadora. No vídeo é possível escutar a professora pedindo para seus alunos ajudarem a cuidar da escola e denunciar quem a suja-se. É preciso repetir estas palavras várias e várias vezes, quem sabe assim nossas escolas fiquem mais limpas e bonitas, quem sabe nossa cidade fique mais bela, quem sabe nosso estado de o exemplo e bem,,,, acho que está na hora de acordar. De qualquer forma, nunca é demais repetir: parabéns professora Denise por tentar fazer um mundo melhor!

Para entender o caso, veja o resume que retirei do site do Jornal Hoje:Na semana passada, a professora Denise Bandeira, que também é vice-diretora da escola, obrigou o aluno a retocar a parede. Um dos colegas gravou o menino trabalhando. No vídeo, a professora chama o garoto de bobo da corte. A escola, que é pública, foi pintada no começo do mês num mutirão de pais, alunos e professores.



segunda-feira, setembro 21, 2009

A Vaca e a Educadora, uma fábula prá lá de moderna


Há muito tempo, quando eu era pequena, olhando para o lado de fora, através da janela de minha sala de aula, vi uma vaca. Pastava calmamente no terreno ao lado da escola. A vaca ruminava pacientemente. Que coisa bonita! - pensei. E apesar dos meus poucos anos, já tinha visto muitas pessoas chamando algumas mulheres de vaca, sempre em tom ofensivo. Mas por quê? As vacas são tão bonitas! Mesmo assim não gostaria de ser chamada de vaca! Afinal provavelmente elas a chamem assim, porque são gordinhas e fofinhas. Minha professora era gordinha e eu queria ser professora. Queria mostrar aos meus alunos o mesmo mundo maravilhoso a que fui apresentada, naquela mesma sala de aula.
Hoje eu cresci, tornei-me uma professora realizando um sonho de infância, porém, outro dia vi na televisão uma professora sendo chamada de vaca. Não foi uma coisa bonita. E nem gordinha ela era. Pensando bem, do jeito que o governo trata os professores, eles se parecem muito com uma boiada. Todos pastando, pacificamente, nos campos de uma educação ideologicamente alinhada. E eles não têm medo de um “estouro”, pois as cercas da opressão e de controle social os mantêm em seu lugar até o momento do abate.
É muito triste tudo isso, nunca vi nem uma mãe de aluno chamando a governadora de vaca. E olha que eu continuo achando as vacas muito bonitinhas e úteis. Podem até me achar louca, com essa conversa mais maluca ainda, mas hoje em dia, não me ofenderia de ser chamada de vaca, afinal com o preço que anda a carne e o leite, as vacas estão sendo muito mais valorizadas do que as professoras.

terça-feira, abril 21, 2009

Esta semana participei de um seminário sobre a questão indígena. Foi muito ilustrativo, com a participação de antropólogos, historiadores, e pessoas que trabalham com essa temática. E como não poderia deixar de participar, os próprios índios, destaco a presença do cacique Cirilo, da tribo Mbyá-Guarani, localizada na Lomba do Pinheiro. Evento este que pretendo abordar brevemente aqui. Por hora, gostaria de dizer que tal evento foi muito útil para minhas reflexões ao trabalhar com a questão étnico racial em sala de aula.
Segue o trabalho que produzi na disciplina de Questões étnico raciais na educação

Trabalhando Raça e Etnia em Sala de Aula

Já há longo tempo venho trabalhando com a construção da Linha do Tempo com meus alunos. Ao iniciar o ano solicito que façam uma pesquisa junto as suas famílias, que lhes possibilite resgatar sua historia através da Linha do Tempo. Desta maneira os alunos descobrem suas origens e os principais acontecimentos que ocorreram ao longo de suas vidas. Em conjunto com a árvore genealógica e a origem de suas famílias, trabalhando assim conceitos básicos de história e sociedade.
Ao receber a proposta da atividade de trabalhar com a questão étnica racial, resolvi dar continuidade a este trabalho que já estava em andamento. Porém, tive que rever alguns conceitos. O que é raça? O que é etnia? A questão do racismo e suas conseqüências não é novidade em nosso meio e já trabalhei, e já vi muitos trabalhos que abordavam o assunto. Então o porquê de minha estranheza? Durante esse mesmo período participei de um seminário sobre a questão indígena, troquei várias informações sobre outras pessoas e li materiais sobre a questão étnica racial. Como, conclusão de todas essas atividades percebi que não estava apta a tratar do tema com meus alunos. Como aproximar deles uma linguagem tão complexa e contraditória? Nesta minha tentativa, vi-me obrigada a aprofundar meus estudos.
Segundo a ciência moderna raça humana é uma só. Não há como diferenciar as diferentes diversidades que compõem a população humana. A raça pura é um mito há muito derrubado. Será errado então falarmos em diferentes raças, como a raça branca, negra, indígena e asiática? Na tentativa de resolver o caso e destacar essas diferenças, os antropólogos optaram pelo conceito de etnia. Vemos então que a questão étnica racial nada mais é do que uma adaptação cultural para destacarmos que existem diferentes raças e ao longo da história houve a exploração de uma pela outra. Se assim não o fizéssemos não poderíamos falar em racismo, pois não havendo raças a discriminação seria apenas algo imaginário. Sabendo que esta chaga ainda está aberta e na busca da igualdade de direitos é que resgatamos este conceito de etnia e raça. Etnia por sua vez se tornou um conceito bem mais amplo, pois podemos diferenciar diferentes povos quer pela cultura e língua, quer pelos seus costumes. Vale dizer que entre os índios, conceito mais amplo de raça, possuem diversas etnias: guaranis, tapuias, charruas, tupis, etc. Poderíamos destacar o mesmo entre os negros: zulus, bandos, pigmeus. Até mesmo entre brancos: alemães, italianos, catalões, sérvios e bósnios, etc. O que se destaca não é mais apenas a cor da pele, embora esta ainda seja a principal característica, mas agora fatores culturais também são levados em conta.
Como tentei resumir no parágrafo acima esta é a questão que eu deveria levar para sala de aula. Como fazer um mosaico étnico racial sem rotular meus alunos como sendo: negros, brancos ou índios? Ao levantar suas origens trabalhando com suas ancestralidades naturalmente nos “classificamos” como negros ou brancos, alguns com origens indígenas, embora não se considerassem como tais.
Surgiu então através deste quadro a possibilidade de se trabalhar: Afinal o que é raça? Somos ou não somos todos humanos. Devemos ter orgulho de sermos brancos, negros, índios, asiáticos? Demos início a um longo diálogo sobre as questões étnicas raciais e principalmente ao racismo, sobre as suas diferentes formas. A partir daí montamos um mosaico com nossas fotos, onde se sobressaia na parte central meus alunos e na parte externa, fotos de seus parentes e de suas infâncias. Não rotulamos as pessoas como brancas ou negras, assim como a sua origem geográfica. Consideramos-nos como sendo brancos ou negros e sabemos nossa origem, porém cada um tem a consciência que não deverá ser considerado melhor ou pior por suas características herdadas. Construímos assim nossa formação étnica racial e resgatamos nossas origens sem nos valermos de conceitos ou preconceitos. Dando continuidade ao trabalho montamos um vídeo com fotos dos alunos e seus familiares.