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sexta-feira, setembro 25, 2009

Falando em exemplo...

Há poucos dias escrevi que a beleza contagia, que bons exemplos devem ser seguidos. Comentei sobre a reforma que fizemos em minha sala de aula e sobre o vandalismo. Pouco tempo depois o caso da professora Denise vem a tona. O ocorrido foi anterior ao meu post no blog, mas só foi divulgado depois. Mais do que nunca me coloquei no lugar desta professora, não por defesa da classe, mas por me identificar com o trabalho que fizeram em sua escola, uma belezura. A professora Denise está na mídia. Apareceu no jornal Hoje, no jornal do almoço, Zero Hora, Diário Gaúcho, no Balanço Geral e no Jornal da Record. Está nos principais sites e no Youtube. O que ela fez? Deu o exemplo que tantos brasileiros gostariam de ter visto. No país do deixa pra lá, do jeitinho e do levar vantagem em tudo, a cobrança por responsabilidades encanta a todos. Não quero julgar a atitude da mãe do adolescente, mãe é mãe, mas parabenizo a professora que corajosamente teve uma atitude firme, e a sustentou. Na enquete que foi ao ar, 97% dos participantes aprovaram o comportamento da professora. A comunidade escolar deu seu total apoio a ela. E a própria SEC foi obrigada a abonar o comportamento da educadora. No vídeo é possível escutar a professora pedindo para seus alunos ajudarem a cuidar da escola e denunciar quem a suja-se. É preciso repetir estas palavras várias e várias vezes, quem sabe assim nossas escolas fiquem mais limpas e bonitas, quem sabe nossa cidade fique mais bela, quem sabe nosso estado de o exemplo e bem,,,, acho que está na hora de acordar. De qualquer forma, nunca é demais repetir: parabéns professora Denise por tentar fazer um mundo melhor!

Para entender o caso, veja o resume que retirei do site do Jornal Hoje:Na semana passada, a professora Denise Bandeira, que também é vice-diretora da escola, obrigou o aluno a retocar a parede. Um dos colegas gravou o menino trabalhando. No vídeo, a professora chama o garoto de bobo da corte. A escola, que é pública, foi pintada no começo do mês num mutirão de pais, alunos e professores.



domingo, abril 05, 2009

Advogada do diabo

Em nossas vidas, muitas vezes somos obrigados a defender ideias que nem sempre condizem com o nosso modo de pensar, porém a situação e o meio nos levam a tomarmos decisões que nos forçam a utilizar uma boa dose de empatia. Felizmente nunca fui obrigada a ir contra os meus princípios éticos e morais, o que não impede de argumentar em prol de idéias das quais não compartilho. Existem inúmeros casos onde tais princípios são quebrados: advogados de maus clientes, professores de escolas particulares que são obrigados a seguir a ideologia da escola mesmo não concordando. E assim existem vários outros exemplos. Na realização da atividade proposta na interdisciplina de Filosofia da Educação fui levada a argumentar a favor de uma idéia com a qual não concordei. Foi proposto o seguinte trabalho “O seu grupo será responsável por DEFENDER a decisão do antropólogo. Então vocês precisarão criar até 3 argumentos JUSTIFICANDO a decisão dele.” Tive que ser então o que chamamos de advogado de diabo, ou no caso em questão advogada do antropólogo. Segue abaixo o texto do antropólogo e minha argumentação.

O dilema do antropólogo francês

Claude Lee, antropólogo francês, acaba de chegar numa ilha de um arquipélago na Polinésia. Sua missão é pesquisar os hábitos dos nativos que lá habitam. Os costumes dos nativos são bastante diferentes dos costumes dos franceses, mas ele tem o cuidado de não julgar o modo como estes nativos vivem, porque tal avaliação sempre seria parcial. Como poderíamos abstrair sinceramente a concepção de mundo que herdamos da nossa cultura e avaliar imparcialmente todas as culturas?
O antropólogo tem ainda outro argumento: qual seria a medida pela qual julgaríamos as culturas? Existem quesitos transculturais que nos permitem avaliar toda e qualquer cultura? A reposta do antropólogo é não: toda avaliação está condicionada pela cultura do avaliador.
Assim, Claude decidiu jamais interferir no modo de vida dos habitantes do arquipélago. Estes, contudo, possuem uma crença que testa a determinação do antropólogo: os nativos acreditam que os mensageiros dos deuses são homens de pele branca, seres que expressam a vontade absoluta dos deuses – tudo o que disserem deverá ser obedecido. O teste ocorre na pergunta que eles lhe fazem: “você tem a pele branca, então você é um mensageiros dos deuses, ou as nossas crenças estão erradas?”
O antropólogo, fiel aos seus princípios, mente: “sim, eu sou o mensageiro dos deuses”. Mas então surge uma pergunta ainda mais difícil: “todos os homens brancos são mensageiros dos deuses, ou as nossas crenças estão erradas?”
Claude reflete: se responder positivamente estará deixando os nativos vulneráveis aos seus conterrâneos inescrupulosos que fatalmente descobrirão a ilha. Mesmo assim, responde de acordo com a cultura dos nativos: “sim, todos os homens brancos são mensageiros dos deuses”.

Minha argumentação:
Ao fazer sua escolha de não intervir na cultura dos nativos da ilha, o antropólogo não deve prepará-los para um possível contato com outros brancos iguais a ele. Se assim o fizesse estaria interferindo. Deixar aos nativos a escolha de tratá-lo ou não, como um mensageiro dos deuses, seria a melhor maneira de não deixar a sua cultura prevalecer sobre a deles. O problema ético do mau uso que outros brancos poderiam ou não fazer desta escolha não lhe pertenceria. Ao fazer isso estaria interferindo, fazendo um prejulgamento do que seria certo ou errado. Se sua intenção não era contrapor sua cultura com a dos nativos nada poderia