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sexta-feira, novembro 20, 2009

A Grande Viagem

José tinha cinquenta e cinco anos. Nasceu em São Borja, ali vivia e havia de morrer. Homem simples do interior nunca saíra de seu rancho. Uma vez fora à capital, coisa linda de se ver, mas ficou perdido naquele mar de gente. Dava medo! - dizia aos vizinhos. Zé amava sua terra, mas ouvia falar do mundo e queria conhecê-lo. Não era nenhum guri, porém, coragem não lhe faltava, haveria de conseguir. Se qualquer piá podia, porque ele, índio velho e calejado pela vida não tentava? Estava prestes a terminar sua primeira grande viagem. Escolheu logo de cara dar um passo longo, nada de coisa de jardim de infância, que tamanho nunca lhe dera medo. Para quem nunca sequer deixara o estado, dar a volta ao mundo foi um feito e tanto. FIM, o primeiro de muitos, fechou o livro. Estava terminado, na capa destacava-se o título: A viagem ao mundo em 80 dias.

Esta história é fictícia, mas se repete todos os dias nas diversas salas da EJA espalhados por aí. Ainda existem muitos Josés querendo aprender a ler, almejando um mundo que até então lhes é vedado. A alfabetização é apenas a primeira “viagem” nos caminhos da aprendizagem. E ainda existem muitos viajantes e praias a serem descobertas, e é com o mesmo orgulho do Zé que faço parte deste processo.

terça-feira, outubro 20, 2009

A Estrada dos Tijolos Amarelos



Tudo que vemos, ouvimos ou lemos serve para aprender e refletir. Pois nestas idas e vindas acabei por ver O mágico de Oz. O que aprendi? Que não devemos fugir de casa num dia de vendaval, mas uma curiosidade leva a outra. Aprendemos por caminhos estranhos. Descobri que o leãozinho símbolo do instituto do câncer infantil é inspirado no Mágico de Oz. Porque o leão? Porque para enfrentar o câncer é preciso coragem. A estrada dos tijolinhos amarelos foi feita com doações para a construção do Instituto. Não foi preciso O Mágico de Oz, intervir, bastou a solidariedade e o esforço da sociedade. Não é só nas horas difíceis que precisamos de coragem. Precisamos ter em mente que todos somos meios leões, meio espantalhos ou homens de lata. É preciso agir, hora com o cérebro, hora com o coração e não ter medo de errar. É preciso seguir sempre em frente. No filme, ao dirigir-se rumo à Cidade das Esmeraldas, a menina, Dorothy, parte do início da estrada dos tijolinhos amarelos. Uma longa jornada sempre deve ter um começo, e é vencida passo a passo. Assim é o saber, das primeiras letras a faculdade, um longo caminho. E quando chegamos ao fim descobrimos que felizmente existem várias outras estradas, que podem ser seguidas e que nos levam a outros a outros horizontes. A onde você quer ir? É só escolher uma das estradas e dar o primeiro passo.